sábado, 21 de maio de 2011

Um pássaro na mão ou dois voando ?

Mais vale um pássaro na mão, é verdade, mas se tivermos dado o melhor de nós mesmos sem conseguir capturá-lo, o jeito é sentar numa sombra e ter a grandeza de aceitar, como parte da vida, os dois voando.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

15, 16 e 17

Prólogo: Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

E nesta semana em que completo mais um ano de vida, lá estava eu sentada, frente a frente com o PC, com o home page do blog cara a cara, para tentar escrever algo palatável.

Bom, sentei e levantei centenas de vezes, quase que uma série de agachamento.
Depois sentei definitivamente, e ... nada.
Em seguida fiquei alternando cotovelo. Ora apoiava em um ora apoiava em outro.
Cansei. Resolvi fazer um tour ... pela casa. Primeira parada: cozinha, mais precisamente, a geladeira. Abri, senti o ventinho, fechei e nada.
Segunda parada: Sala, mais precisamente ainda, sofá. Liguei a tv, e tentei me distrair com qualquer coisa, porque vira e mexe isso funciona, mas não desta vez, nada funcionava.

Daí resolvi deixar pra lá, afinal dezenove anos nem é uma data tão especial assim. Encostei meu pescoçinho no sofá, com a esperança de tirar uma soneca. Até que derrepente, ouço uma semi baderna, vinda do quarto. Fui correndo até lá, porque afinal, só tinha eu em casa.

Só eu? EUS.
Me deparei com Eu de 15, Eu de 16 e Eu de 17.
Antes de eu terminar o raciocínio de que tinha surtado, fui interrompida por Eu de 15:

- Não acredito, você ouve Chico Buarque?
- Claro, as poesias dele são ótimas, o cara é um revolucionário musical e poético, disse com de 19.
- (eu com 15): Cara que careta, olha como você fala, transgressor, ecat. Que isso cumprido? Ah não, ah não, cintura alta?
Quero morrer.
-(eu com 19): É bonito, deixa você altiva, é clássico e além do mais...

- Des... des.. des..

(Sou interrompida por eu de 16)

Descartes, disse eu com 19 completando as tentativas frustradas de mim com 16 tentando dizer o nome do filósofo.

- (eu com 16): Você lê isso? Aí tá apavorando hein!
- (19): Penso logo existo... tá bom pra você?
-(16) :Que isso aqui, batom vermelho, minha mãe está usando isso agora?

-(19): Não, sabe que a mãe é muito básica, é meu.

-(16) Que que que?! Ah, batom vermelho não, quero morrer.

- (19) É bonito, clássico e ainda é sensual sem ser vulgar.

Antes de eu terminar a minha explicação sobre batom vermelho e tendências, e tudo mais sobre o mundo da moda, ouvimos um grito.
Era eu de 17 remexendo as fotos do meu mural

- (17): Quem são essas pessoas que estão com você nestas fotos de agora? Cadê minhas amigas? As minhas melhores amigas do mundo.

- Elas são super minhas amigas ainda, e sempre serão...

-(17) Para de me enrolar e me responde logo!

- (19) Só não curtimos mais as mesmas coisas, não saímos juntas todos os fins de semana como antes, a vida muda, as coisas mudam. Só o amor não muda, esse não muda nunca. Mas todas essas coisas condicionais mudam, e apesar de afastar pessoas que amamos e não sabemos viver sem, traz uma leva de gente especial, como essas meninas daí da foto, as da faculdade.

- (17) Aí meninas, também quero morrer. Diz eu de 17 para eu de 15 e 16.

- (19) Aí quer saber, cansei, cansei de ser compreensiva com vocês, de ser plausível e dar justificativa para tudo de que estão me acusando.

Me olham as três com os olhos arregalados, e eu ignorando, prossigo...

- Se não fosse vocês, talvez eu poderia estar estudando sem pagar, eu teria lido bem mais, ao invés de ficar proseando no msn, todas as tardes.
Se não fosse vocês eu não teria perdido um tempão da minha vida, primeiro com um cabeçudo mongolóide, depois com um cabeludo oligóide.
Fora as brigas com a minha mãe, e eu ainda tenho que ouvir isso, diacho.

Antes que eu terminasse, ouvimos uma gargalhada vindo da porta.

Era eu de 30, dizendo : Ah meninas, vocês são umas figuras, viverão e verão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Conto De Quem Conta

Prólogo:Um ponto de vista de um ponto desprovido de demagogia.

Num dia desses qualquer, passando por uma rua movimentada, onde há um colégio estritamente destinado a pessoas financeiramente privilegiadas, pude ouvir o seguinte diálogo sobre a guerra civil do Rio de Janeiro, ocorrida/ocorrendo esses dias:

- Tem que matar todos esses bandidos.
- È, esses filhos da puta tem todos que morrer.

Passei a semana inteira pensando nas duas frases. Tentando achar uma posição sobre os comentários. Como um exu mnemônico a cena ia e voltava, as vozes, a maneira com que falavam, o gesto, até que...

PAUSE.

Com o auxílio da minha imaginação voltei na tal cena perturbadora e ...

-Oi.
- Não que eu seja conivente com a criminalidade, ou que eu tenha algum vínculo sanguíneo com algum destes marginais, ou que muito menos eu faça parte de uma dessas campanhas de direitos humano, que na verdade estão mais para oportunismo no humano, mas achar que tem que matar todos eles sem conhecer o outro lado do Rebouças é mole.

- Estes de quem tanto tem se falado, são moradores da Penha, subúrbio carioca, área leopoldinense desta cidade.

- Cinema lá? Só no bairro vizinho.
- Teatro? Uma hora para chegar, no mínimo.
- Praia? Ônibus lotado.
- Viagem nas férias? Prefiro não comentar.
-O mais próximo é o barraco, as drogas, o baile, e as armas.

- Sabemos que o ser humano é fruto de seu meio social, é o reflexo que vêem, vivem, de sua família. Pelo menos até agora não se descobriu no DNA de ninguém : marginal, bandido ou traficante. Certamente este não foi o sonho de nenhum deles.

- Concluindo que foi o meio que os transformou no que são, podemos avançar no raciocínio, e nos perguntar:

- E o meio? O reflexo? Quem os fez/faz?
O verdadeiro crime. Quem o comente?

- A favela de verdade está em Brasília, e os verdadeiros traficantes usam pastas nas mãos ao invés de metralhadoras, esses sim é que merecem julgamento de morte.

- Eles que deixam quase que uma cidade toda desassistida, sem qualquer atenção, de necessidades básicas e qualidade de vida. Transformando PESSOAS, em marginais.

- O quero dizer, é que matá-los ou não, não resolve o problema, no máximo ameniza corriqueiramente. Enquanto eles morrem a corrupção cria mais cem iguais ou piores.

- Atirar neles, é apenas acabar com uma vida que já nasceu acabada.

- Apertei o play.

- Agradeci a imaginação.

Segui, de boca calada, de mãos atadas e frustrada, como a maioria das pessoas que pensam e falam que “tem que matar todos eles”.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Soneto de Demissão

Prólogo: No dia 11 do mês de Outubro, uma funcionária da empresa, do setor de recursos humanos, pede meu comparecimento em uma sala, no horário do expediente, e com um pouco de lenga lenga e palavras técnicas, porém desnecessárias para mim naquele momento, me demite.
Tudo bem, isso acontece a todo tempo no Brasil e no mundo, mas pode se dizer que foi um balde de água fria, em um sono longo e profundo, posso até ter a audácia de dizer que foi uma ruptura biográfica. Fiz as malas do "Fantástico mundo de Carolina" e sob uma aterrissagem inesperada e bruta, pus os pés em terra firme. Como vocês estão lendo, apesar de ter sido assassina do meu sorriso por alguns dias, sobrevivi a viagem. Aqui estou eu, bem mais madura (aliás, amadurecer é algo que me faz querer ser uma fruta, mas isto é para outra postagem). Apesar de algo banal, como já disse anteriormente, me marcou muito. E ponto final (literalmente).

Com vocês ...


Soneto de Demissão

Devia ter trabalhado mais
Ter me dedicado mais
Ter visto numa boa nego se foder

Devia ter calado mais
E até me ocupado mais
Não ter entrado no twitter

Queria ter aceitado
Os ignorantes sem contestação
Cada um sabe a conta
E quanto vale a sua omissão

O seu ideal não vai te dar seguro desemprego
Enquanto você estiver fodido
A grana da rescisão vai acabar
Você vai ficar sem um puto

Devia ter falado menos
Ter voado bem menos
E ter aprendido a não me opor
Devia ter desprezado menos
O salário bem baixo
Ter me contentado com pouco

Queria ter aceitado
A merreca como ela é
Agora fica o conselho
Dê sempre o melhor que puder

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Papo Sério

Prólogo: Se você me acha engraçada, não mude de ideia ao acabar de ler o texto, é só um texto FALANDO SÉRIO.

Jovens, adultos, idosos e adolescentes , que não tem obrigação de votar, entram em um consenso, quando a afirmação é : A falta de opções para o voto neste ano de 2010. Dizem por aí, os sites de relacionamento, que até o Diabo, quando vira os candidatos, fez o sinal da cruz.
É Tiririca que diz em seu programa eleitoral, que não sabe o que um Deputado Federal faz, (cargo para o qual ele se candidata), mas que se o eleitor elegê-lo, ele volta e conta. Ou então, ex jogador de futebol, envolvido em alguns escândalos(aliás isso aí já virou banalidade, estranho é quem não está envolvido em nenhum), fazendo campanha corpo a corpo, com mulheres esteticamente privilegiadas , dando santinhos como "brinde" de campanha, com os seguintes dizeres: "Vote no Romário, ele já é rico, não vai precisar roubar você" (se não é isso, é quase isso).
E por aí vai, uns piores que esses citados aí, outros medianos, outros não tão ridículos, mas todos em um tom de pouco caso, de até desrespeito. Nem os artistas de circo, que tem o público infantil, tem tão pouco caso ao criar seus números. E é a isso que tem que ser comparado. Um grande circo. Tiririca virou notícia internacional, com o nome de prejuízo político.
O inacreditável, o inconcebível, é que esses aí, somando o ex-governador do Rio de Janeiro garotinho (com g minúsculo mesmo, rããm) estão lá em cima nas pesquisas de voto.
Meus poderes de compreensão ainda não conseguem assimilar esta verdade. Humoristas vem dizendo que o horário político, é o melhor programa de humor que há hoje na televisão brasileira. Mas o "programa de humor", dura no máximo quatro, cinco, ou até seis messes, depois o programa acaba, eles tomam o poder, e os telespectadores, em todo o Brasil, trocam o som unânime de gargalhada pelo choro da criança com fome, o barulho dos tiros, e por aí vai. Quatro anos sem o "melhor programa humorístico". Quatro anos é muito tempo.
Eu detesto esses papos, de intelectuais e especialistas, de educação anti raciocínio, mensalões, corrupção em geral, saúde precária, desigualdade social e todas essas lengas lengas que além deles, mundo só sabe falar por aí,não que eu não me importe, pelo contrário, só acho que eles poderiam usar esse tempo para ao invés de escrever cada vez mais bonita a crítica, criar SOLUÇÕES, e não ficar subordinados a todas essas "leis abstratas" capitalistas, em troca de viagem pra Europa no final do ano. Mas nesse período é de suma importância essas lengas lengas, pra vê se o povo acorda, e se dá conta que as coisas dependem mais da gente do que podemos imaginar. Valorize seu voto.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Quando caminhava em direção a faculdade levava nas costas uma mochila pesada com cadernos, livros e um monte de tralha que eu não sei porque levo , mas também não sei porque não tiro, e na cabeça um compacto zipado de ideias, conclusões, opiniões, que de tão concretas eram petrificadas . O que pode se chamar de verdade.

Cheguei na faculdade, e ... BUM!

Uma avalanche de informações, uma chuva de conhecimento. Todas as minhas verdades, abaladas, o concreto sambando como se tivesse sido atingido por um terremoto (estou na onda de fenômenos da natureza, opa, onda não, tá, tá desisto.)

Todos, assim como eu tinham verdades. Umas parecidas com as minhas, outras completamente antagônicas, outras perfiladas no meio termo, mas todos tinham as suas.

O contrário de verdade é mentira ?

Tive uma professora de política e sociedade que dava aulas que eu amava, ela tinha um posicionamento político muito bem definido e expressava isso de forma bem clara.
Estava com ela no posicionamento, mas de vez em quando havia de concordar que ela era meio/totalmente extremista, mas ao longo do tempo pude perceber que era apenas conseqüência da visceralidade, que era o que me fazia a admirar tanto. E somando tudo, acho que o que torna uma verdade, verdade é o quanto a gente acredita nela.

Na Índia, a vaca é sagrada, aqui no Brasil, o porcão do aterro fica lotado.
Mentira deles?

Bom, baseado na pesquisa criada, feita e aprovada por mim, e principalmente, aberta a mudanças, pode-se notar que verdades e mentiras são quase que individuais, que nem nariz. E que eu acredito nas minhas e é isso que importa, e fim da história!

Bom mesmo e respeitar cada uma delas!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobre ser jornalista

Quero ser jornalista pelo privilégio de poder trabalhar com a informação. Acredito(veja bem, acredito!Pode ser que ao longo do curso eu mude de opinião) que há poucos profissionais no mercado, dessa geração que mostrem a notícia de uma maneira construtiva para o futuro deste país.
Quero expressar o ponto de vista, de um ângulo que mostre para o rico que não é preciso que ninguém passe fome, ou seja pobre para continuar sendo rico. E mostrar para o pobre, que diferente do que os meios de comunicação em massa ditam, e o sistema, você não é o que você tem, e sim o que você estuda, e que estudar e ter uma profissão não é fácil, mas não é impossível, e as coisas difíceis e os investimentos que geram lucro a longo prazo, ainda valem muito mais a pena.
Ser jornalista, não vai me tranformar em nenhum Moisés de saia, e nem uma Jesus Cristo versão século XXI. Pode ser só a minha pequena parte, de tantas pequenas partes, que todo mundo deveria fazer para mudar/melhorar o mundo. E não estou disposta a abrir mão dessa parte por nenhum ótimo emprego com ótimos benefícios, com direito a carro do ano.
E claro, ainda com o brinde de fazer o que amo, e ser feliz.


Ps's:
* Estou amaaaaaaaando a faculdade.
* Bem mais do que eu achava que ia amarr
* Sem mais paciência pra ps'ssss

bj bj bjj