segunda-feira, 26 de março de 2012

Trocas

Algumas da vida:

Troquei a integralidade da minha liberdade pelo desassossego de uma paixão.

A minha vontade de ser olhada por pares de olhos de todas as cores foi trocada pelo desejo de um só, da cor do mar, que não sei porque faz sentir-me única.

Troquei a cantoria solo de "Solteiro no Rio de Janeiro" para fazer dupla com o sucesso de Caetano Veloso "Samba de Verão".

Troquei o status "livre" para "livre com ele".

Troquei as centenas de gargalhadas com as meninas.
Pelo dobro.
As minhas com elas, mais as com ele.

Troquei o interesse exclusivo por vitrines femininas para incluir as masculinas. Sempre tem alguma coisa que fica linda nele, afinal, ele também faz parte do meu look.

Troquei encontros fortuitos com caras "x" por encontros constantes com o cara "y": ele.

Troquei Pierrots e Alerquins do carnaval para ser a colombina dele pelos 365 dias do ano.

Trocas da vida.
Todas reversíveis.
Infelizmente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Alô gerações Y, Z

Antes que seus olhos lêem as letras e forme as sílabas e você leia as palavras, este, mesmo parecendo, não é um texto prepotente.

São apenas algumas dentre várias observações que inclusive desconheço sobre coisas que nós jovens (super me incluo, nasci em 1992),desconhecemos, não valorizamos, por milhares de causas, ou por uma exclusiva: a nossa,

vai saber ...


- O “Contribuinte” que ouvimos falando no jornal é ninguém mais, ninguém menos que NÓS, eu, você, todo mundo que consome qualquer coisa.

- O “Estado do Pará” é aqui no Brasil.

- Mérito seja dado a Tomas Jobs, mas o pai da comunicação no Brasil foi Assis Chateubriand.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_Chateaubriand
É uma história incrível. Um nordestino analfabeto até adolescência (se a memória não me trai) aprendeu a ler com 16 anos.

Conhece?

- Nosso sistema político se chama Democracia Presidencialista.

- É comum uma mulher grávida usar biquíni? Alguém foi chamada de p*%& por isso. Nome: Leila Diniz.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Leila_Diniz

- Não gosta de bandas como Restart? No Brasil, acreditemos, já houve passeata contra guitarra elétrica: saudosismo só serve para depois olhar pra trás e pensar: “mas que palhaçada”.

- Ditadura militar na Líbia? Ah, do outro lado do mundo. Nosso país viveu 21 anos (1964-1985) assim. Vinte-e-um. Muita gente morreu para levarmos essa vidinha de dizer o que quer e bem entende.

- Facebook, Orkut, Google. Ótimo, não vivemos sem. Mas neste país X% da população vive abaixo da linha de pobreza e Y% são analfabetos. Muita gente não sabe o que é rede social.

- Quase todo mundo gente boa mesmo fuma maconha. Os maiores gênios da arte, pessoas de caráter, pessoas de bem. Mas essas pessoas financiam o tráfico SIM. Quem compra maconha encomenda seu assalto SIM.

É preciso apenas um peteleco em um dos dominós para que a fileira toda seja derrubada.

- DVD na Uruguaiana é maior adianto, concordo plenamente. Mas comprá-los é falta de Ética.

Igualzinha a dos personagens dos escândalos políticos. Aquele engravatado que rouba o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. Falta de Ética é tudo igual, só muda a proporção, de acordo com o lugar até onde a mão de cada um alcança.

- Quem joga lixo no chão, da janela do ônibus e é de alguma dessas gerações do título é no mínimo mentecapto ou acéfalo.




Quem vos escreve não é cool, não sabe falar inglês, não leu a “República de Platão”, estudou em colégio público, não entende nada de economia.

Apenas acredita que o mundo tem jeito, e que diferente do que nos treinam a pensar, tudo que é imposto é revertível.

Acredita e quer que todos entendam que um mundo melhor no futuro depende majoritariamente de nós.

domingo, 31 de julho de 2011

O que eu digo sim, o que eu faço ...

Eu e a Duda éramos super amigas no colégio. Daquele tipo que andam juntas, passam o recreio juntas e se fala pelo telefone nos fins de semana.

Passamos o ensino fundamental todo assim. No ensino médio, continuamos amigas, apesar das diferenças começarem a gritar, como numa ópera.

A Duda era daquele tipo que acreditava em príncipe encantado, e eu do tipo que
ridicularizava tudo isso.

Enquanto a Duda pensava que o poeta criava a poesia para conquistar a mulher amada, eu acreditava que ele criava a mulher para pegar a poesia.

E quando entramos na faculdade, a Duda tornou real seu conto de fadas. Conheceu o Rafa, e tenho de reconhecer, ele tinha quase tudo que um príncipe encantado tem. Tratava a Duda super bem, e a fazia muito feliz, e todas aquelas coisas fofinhas de mozinho/tuguzinho/moxãozinho que existem na face da terra.

Mesmo estando em faculdades diferentes, eu continuei acompanhado a Love Story da Duda pelas redes sociais, e uma vez ou outra pelo telefone e coisa e tal. E mesmo de longe, ficava super feliz em ver a felicidade da minha amiga/fofa/princesa que mais do que merecia ser feliz.

E lá estou eu, numa tarde atemporal, de folga, estudando alguma teoria da comunicação da vida. O telefone toca, e seguido de um alô mal dito, ouço uma voz conhecida, era a própria : Eduarda Magalhães, a minha Duda!

“Alô mal dito” foi uma maneira discreta minha de dizer que foi o alô mais marejado que já tinha ouvido, e sabia que do outro lado da linha tinha alguém se debulhando em lágrimas!

A Duda não quis me contar o que tinha acontecido pelo telefone, só me adiantou que era: “O Rafa, o Rafa, o Rafael”, me arrumei em tempo Record e fui encontrá-la no Boomerang.

Chegando lá no nosso mesmo lugar de tomar café/bolo/vitamina e fazer fofoca de sempre, e um pouco mais calma, a Duda começou a me contar tudo que tinha acontecido.

O Rafael tinha ficado com outra menina. Depois de uma briga entre os dois, ele saiu, e acabou ficando com uma menina que ele nunca tinha visto na vida. E a Duda chorava, lamentando, dizendo que o príncipe dela não passava de um sapo do brejo.

Pedi pra que ela me explicasse melhor.
Ele tinha contado pra ela no dia seguinte da night traiçoeira,digamos, da mesma maneira que a Duda estava me contando, se debulhando em lágrimas, como um cão arrependido, sofrendo, chorando, em depressão (tá bom, exagerei) lamentando aquilo tudo, e querendo se livrar pelo menos um pouco, da tonelada que estava em sua consciência.
A questão é, que em poucas palavras, eu percebi que o Rafa estava tão mal quanto a Duda.

E depois de ouvir tudo, veio a tal, a fatal, a malvada, pergunta: O que você acha?


Tiririririmmm ... Tiririririmmm... Tiririririmmm ...

E eu nunca pensei que fosse gostar tanto de um telefonema do meu pai. Tinha que ir ao banco pra ele, e havia me esquecido.

Corpo são da pergunta fatal, mas não a cabeça.

Fiquei de passar na casa da Duda depois de cumprir a tal missão pro meu pai.

Depois de uma fila no banco quilométrica, tico e tecos cansados, e milhões de neurônios gastos, lá estava eu tocando a campainha da Duda. Subi, e meio que ensaiado mentalmente começei:

“Amiga, claro que o Rafael foi um babaca, e que a atitude dele não merece nem um terço da menina que você é, ele não tinha motivo pra ficar com outra menina com uma garota incrível como você dividindo a vida com ele, e nada que ele fizer no mundo vai justificar o que ele fez com você, mas eu acho que você deve concordar em conversar com ele.”

Depois de dois olhos esbugalhados diante do que eu tava dizendo, e um comentário de que não esperava aquilo de uma Sra. Racional que nem eu, prossegui...

Pensa: Nesse tempo todo que vocês namoram, sei lá, uns cinco mil anos, quantas vezes ele fez alguma coisa, QUALQUER COISA que tenha magoado você? Alguma vez ele te deixou de lado? Nem na final do time dele. Alguma vez ele te fez mal? Te fez sofrer?

O que é ele ter ficado com uma menina diante de tudo de bom que ele tem feito e te somado esse anos todos Eduarda?

Longe de mim justificar a atitude dele, e nem fazer uma campanha pró traição, mas se eu dissesse que você está certa sem ao menos deixar o menino conversar com você, eu estaria sendo mais que injusta.

Abraçei-a forte, e vi aqueles olhinhos brilhando de novo. Quando saí de lá a Duda estava no vigésimo minuto de “DR” com o Rafa.

Saí andando pela rua tão feliz e satisfeita por ter feito alguém tão querida voltar a sorrir, e desencanar do que as pessoas pudessem falar, mas em compensação me sentindo tão covarde, por saber que EU, Maria Carolina Morganti, jamais conseguiria por em prática toda aquela minha teoria.

Afinal, eu disse o que eu acho certo que se faça, e não o que eu faria.

sábado, 21 de maio de 2011

Um pássaro na mão ou dois voando ?

Mais vale um pássaro na mão, é verdade, mas se tivermos dado o melhor de nós mesmos sem conseguir capturá-lo, o jeito é sentar numa sombra e ter a grandeza de aceitar, como parte da vida, os dois voando.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

15, 16 e 17

Prólogo: Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

E nesta semana em que completo mais um ano de vida, lá estava eu sentada, frente a frente com o PC, com o home page do blog cara a cara, para tentar escrever algo palatável.

Bom, sentei e levantei centenas de vezes, quase que uma série de agachamento.
Depois sentei definitivamente, e ... nada.
Em seguida fiquei alternando cotovelo. Ora apoiava em um ora apoiava em outro.
Cansei. Resolvi fazer um tour ... pela casa. Primeira parada: cozinha, mais precisamente, a geladeira. Abri, senti o ventinho, fechei e nada.
Segunda parada: Sala, mais precisamente ainda, sofá. Liguei a tv, e tentei me distrair com qualquer coisa, porque vira e mexe isso funciona, mas não desta vez, nada funcionava.

Daí resolvi deixar pra lá, afinal dezenove anos nem é uma data tão especial assim. Encostei meu pescoçinho no sofá, com a esperança de tirar uma soneca. Até que derrepente, ouço uma semi baderna, vinda do quarto. Fui correndo até lá, porque afinal, só tinha eu em casa.

Só eu? EUS.
Me deparei com Eu de 15, Eu de 16 e Eu de 17.
Antes de eu terminar o raciocínio de que tinha surtado, fui interrompida por Eu de 15:

- Não acredito, você ouve Chico Buarque?
- Claro, as poesias dele são ótimas, o cara é um revolucionário musical e poético, disse com de 19.
- (eu com 15): Cara que careta, olha como você fala, transgressor, ecat. Que isso cumprido? Ah não, ah não, cintura alta?
Quero morrer.
-(eu com 19): É bonito, deixa você altiva, é clássico e além do mais...

- Des... des.. des..

(Sou interrompida por eu de 16)

Descartes, disse eu com 19 completando as tentativas frustradas de mim com 16 tentando dizer o nome do filósofo.

- (eu com 16): Você lê isso? Aí tá apavorando hein!
- (19): Penso logo existo... tá bom pra você?
-(16) :Que isso aqui, batom vermelho, minha mãe está usando isso agora?

-(19): Não, sabe que a mãe é muito básica, é meu.

-(16) Que que que?! Ah, batom vermelho não, quero morrer.

- (19) É bonito, clássico e ainda é sensual sem ser vulgar.

Antes de eu terminar a minha explicação sobre batom vermelho e tendências, e tudo mais sobre o mundo da moda, ouvimos um grito.
Era eu de 17 remexendo as fotos do meu mural

- (17): Quem são essas pessoas que estão com você nestas fotos de agora? Cadê minhas amigas? As minhas melhores amigas do mundo.

- Elas são super minhas amigas ainda, e sempre serão...

-(17) Para de me enrolar e me responde logo!

- (19) Só não curtimos mais as mesmas coisas, não saímos juntas todos os fins de semana como antes, a vida muda, as coisas mudam. Só o amor não muda, esse não muda nunca. Mas todas essas coisas condicionais mudam, e apesar de afastar pessoas que amamos e não sabemos viver sem, traz uma leva de gente especial, como essas meninas daí da foto, as da faculdade.

- (17) Aí meninas, também quero morrer. Diz eu de 17 para eu de 15 e 16.

- (19) Aí quer saber, cansei, cansei de ser compreensiva com vocês, de ser plausível e dar justificativa para tudo de que estão me acusando.

Me olham as três com os olhos arregalados, e eu ignorando, prossigo...

- Se não fosse vocês, talvez eu poderia estar estudando sem pagar, eu teria lido bem mais, ao invés de ficar proseando no msn, todas as tardes.
Se não fosse vocês eu não teria perdido um tempão da minha vida, primeiro com um cabeçudo mongolóide, depois com um cabeludo oligóide.
Fora as brigas com a minha mãe, e eu ainda tenho que ouvir isso, diacho.

Antes que eu terminasse, ouvimos uma gargalhada vindo da porta.

Era eu de 30, dizendo : Ah meninas, vocês são umas figuras, viverão e verão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Conto De Quem Conta

Prólogo:Um ponto de vista de um ponto desprovido de demagogia.

Num dia desses qualquer, passando por uma rua movimentada, onde há um colégio estritamente destinado a pessoas financeiramente privilegiadas, pude ouvir o seguinte diálogo sobre a guerra civil do Rio de Janeiro, ocorrida/ocorrendo esses dias:

- Tem que matar todos esses bandidos.
- È, esses filhos da puta tem todos que morrer.

Passei a semana inteira pensando nas duas frases. Tentando achar uma posição sobre os comentários. Como um exu mnemônico a cena ia e voltava, as vozes, a maneira com que falavam, o gesto, até que...

PAUSE.

Com o auxílio da minha imaginação voltei na tal cena perturbadora e ...

-Oi.
- Não que eu seja conivente com a criminalidade, ou que eu tenha algum vínculo sanguíneo com algum destes marginais, ou que muito menos eu faça parte de uma dessas campanhas de direitos humano, que na verdade estão mais para oportunismo no humano, mas achar que tem que matar todos eles sem conhecer o outro lado do Rebouças é mole.

- Estes de quem tanto tem se falado, são moradores da Penha, subúrbio carioca, área leopoldinense desta cidade.

- Cinema lá? Só no bairro vizinho.
- Teatro? Uma hora para chegar, no mínimo.
- Praia? Ônibus lotado.
- Viagem nas férias? Prefiro não comentar.
-O mais próximo é o barraco, as drogas, o baile, e as armas.

- Sabemos que o ser humano é fruto de seu meio social, é o reflexo que vêem, vivem, de sua família. Pelo menos até agora não se descobriu no DNA de ninguém : marginal, bandido ou traficante. Certamente este não foi o sonho de nenhum deles.

- Concluindo que foi o meio que os transformou no que são, podemos avançar no raciocínio, e nos perguntar:

- E o meio? O reflexo? Quem os fez/faz?
O verdadeiro crime. Quem o comente?

- A favela de verdade está em Brasília, e os verdadeiros traficantes usam pastas nas mãos ao invés de metralhadoras, esses sim é que merecem julgamento de morte.

- Eles que deixam quase que uma cidade toda desassistida, sem qualquer atenção, de necessidades básicas e qualidade de vida. Transformando PESSOAS, em marginais.

- O quero dizer, é que matá-los ou não, não resolve o problema, no máximo ameniza corriqueiramente. Enquanto eles morrem a corrupção cria mais cem iguais ou piores.

- Atirar neles, é apenas acabar com uma vida que já nasceu acabada.

- Apertei o play.

- Agradeci a imaginação.

Segui, de boca calada, de mãos atadas e frustrada, como a maioria das pessoas que pensam e falam que “tem que matar todos eles”.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Soneto de Demissão

Prólogo: No dia 11 do mês de Outubro, uma funcionária da empresa, do setor de recursos humanos, pede meu comparecimento em uma sala, no horário do expediente, e com um pouco de lenga lenga e palavras técnicas, porém desnecessárias para mim naquele momento, me demite.
Tudo bem, isso acontece a todo tempo no Brasil e no mundo, mas pode se dizer que foi um balde de água fria, em um sono longo e profundo, posso até ter a audácia de dizer que foi uma ruptura biográfica. Fiz as malas do "Fantástico mundo de Carolina" e sob uma aterrissagem inesperada e bruta, pus os pés em terra firme. Como vocês estão lendo, apesar de ter sido assassina do meu sorriso por alguns dias, sobrevivi a viagem. Aqui estou eu, bem mais madura (aliás, amadurecer é algo que me faz querer ser uma fruta, mas isto é para outra postagem). Apesar de algo banal, como já disse anteriormente, me marcou muito. E ponto final (literalmente).

Com vocês ...


Soneto de Demissão

Devia ter trabalhado mais
Ter me dedicado mais
Ter visto numa boa nego se foder

Devia ter calado mais
E até me ocupado mais
Não ter entrado no twitter

Queria ter aceitado
Os ignorantes sem contestação
Cada um sabe a conta
E quanto vale a sua omissão

O seu ideal não vai te dar seguro desemprego
Enquanto você estiver fodido
A grana da rescisão vai acabar
Você vai ficar sem um puto

Devia ter falado menos
Ter voado bem menos
E ter aprendido a não me opor
Devia ter desprezado menos
O salário bem baixo
Ter me contentado com pouco

Queria ter aceitado
A merreca como ela é
Agora fica o conselho
Dê sempre o melhor que puder